59º Prêmio Margarete Whyte| Espacio de Arte Contemporáneo | Montevidéu, Uruguai | 2020

Duas obras selecionadas, da série A Direção do Vento Predominante V realizadas em carvão sobre papel, 2019.

Juri e curadoria: Elisa Perez Buchelli, Florencia Flanagan e Martin Craciun

As seguintes obras que apresento ao 59 Prémio Nacional de Artes Visuais “Margaret Whyte” são inéditas, foram realizadas em 2019 e formam parte do projeto “A Direção do Vento Predominante” iniciado em 2013. Este projeto desde o começo está em permanente atualização, seguindo diferentes fases e etapas de produção.

 

Conceitualmente as obras estão inspiradas em quarto textos de minha autoria que complementam o trabalho visual: “99% de humidade e algumas moléstias lombares” (2005 – um homem confinado em seu apartamento se protege de uma forte epidemia de humidade), “A camisa branca que talvez algúm dia foi azul”, (2010 – um homem é testemunha do desespero de um nômade perdido no deserto), “Alêm do ángulo” (2013 – a perturbação de um homem ao perder seus óculos) e “Troquem o telhado ou nada ouviremos” (2014 – a jornada de uma anciã no interior de um museu).

 

Estes textos/contos tratam metafóricamente de contemplação, de vazios existenciais, de respostas sem perguntas previas, de absurdos, de promessas falsas e de viagens com um regresso não desejado ao ponto de partida, entre outros.

 

Por outro lado, as obras “O Despovoador” ( a vida no interior de um enorme cilindro) de Samuel Beckett e “O Crocodilo” (O relato de uma personagem dentro do ventre de um crocodile) de Fiodor Dostoievsky, complementam conceitualmente, também desde o inicio, a gênesis deste projeto.

 

Visualmente a presença de uma arquitetura inventada e indefinida nos aproxima a um resultado consciente de abstração e desconstrução. A mesma poderia ser estritamente clara, magnífica e indefinida. Uma arquitetura perfeita nos invitaria a reproduzi-la como fórmula de sucesso absoluto mas nos negamos a seguir esse caminho estando conscientes do “fracaso” de um presente e de um futuro distópicos. A possível chamada na primeira página de um jornal poderia ilustrar isso: “Marco arquitetônico sublime o Chrysler Building de New York se transforma num naufrágio sem volta ao ser ocupado por um grande número de homeless famintos”.

 

Conceitos de aridez, solidão e silIêncio se fazem presentes por meio de vazios metafóricos, se navega entre robustas figuras arquitetônicas. A intenção do uso do carvão nas obras nos pode levar ou guiar a um tempo passado, a uma atmosfera em ritmo retrô e futurista.  O veloz, morre em sua própria velocidade… ?

Victor Lema Riqué, 2020