A Direção do Vento Predominante III | Elefante Centro Cultural | Brasília, Brasil | 2014

Terceira série de desenhos realizados em carvão sobre papel.

Curadoria: Manuel Neves

 

A Direção do Vento Predominante é o título de uma série de desenhos em carvão sobre papel realizados a partir de 2010. 

Em estas obras sugiro visitas ou momentos neutros de observação e contemplação sobre dominantes figuras arquitetônicas. As imagens nos podem levar, ou não, a um campo mais profundo de observação por meio de fugas e perspectivas que nos permitam alcançar leituras mais avançadas. Conceitos de aridez, solidão, bem-estar, sendas e silencios, estão presentes por meio de vazios metafóricos. Depois de um primeiro plano plastic talvez existam outras superficies e paradoxos a investigar… Um bosque sem árvores… E depois…

Victor Lema Riqué

Apresentada em Berlin, São Paulo e Punta del Este, a série “A Direção do Vento Predominante” do artista Victor Lema Riqué é uma continuação da série de desenhos “El Bosque”, de representação ficcional de edificios e fragmentos de conjuntos urbanos. Em sua monumentalidade monocromática, o conjunto de obras projeta aridez e solidão ao criar um clima atemporal e nostálgico. Nas formas e ritmos pode-se reconhecer o caráter do modernismo e do art deco, presentes tanto na cidade natal do artista, Montevidéu, como na caótica urbanização de São Paulo onde o artista vive há quase 30 anos. “Essas obras tem um contenido narrativo, ainda que projetam hermetismo e aridez”, diz Manuel Neves, curador da mostra. 

“O artista não só utiliza vários meios e técnicas para produzir sua obra, como video e performances, mas Victor é também um notável escritor de relatos”, complementa Manuel.

Nesse sentido Victor tem experimentado trabalhar com essas fronteiras, contaminando permanentemente uma mídia e a outra. O resutado dessa convergência é uma obra marcadamente narrativa e uma obra literária muito visual, caraterizada pelo esforço permanente por contar histórias.

 

As obras apresentadas no Elefante Centro Cultural de 12 de setembro a 18 de outubro, projetam-se como emblemas da vida nas grandes cidades, reproduzindo metaforicamente a vida urbana frenética: os indivíduos presos entre a paranóia pela ameaça permanente de violência, a ansiedade gerada por uma sociedade de consumo cada vez mais sofisticada, a insegurança da precariedade social e os paradoxos da falta de comunicação.

Oficina: Novas Utopias e Mundos Lunáticos